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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

BATE-PAPO DA RBI (teste)

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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Como um pastor deve proceder em um culto fúnebre?

Como um pastor deve proceder em um culto fúnebre?

Brian Croft02 de Agosto de 2016 - Práticas da Igreja
Iniciar um culto fúnebre pode fazer alguém se sentir tão estranho quanto aquelas primeiras palavras que você fala para a família que acaba de perder seu ente querido. No entanto, por causa da atenção que as pessoas dão nesses momentos, devemos aproveitar a oportunidade para escolher cuidadosamente nossas palavras, visto que elas definirão o tom de todo o funeral. Uma boa regra de ouro é sempre cuidar para que Deus fale antes de você. Tenha em mente isto: embora existam diferentes tipos de pessoas presentes no funeral, todos estão, cada um do seu modo, perguntando: “Deus, por quê?”.
Escolha uma passagem da Escritura que remova completamente as perguntas, tristeza e ceticismo, por declarar o caráter imutável do nosso grande Deus. Prepare-se de forma que você possa se levantar, se dirigir ao púlpito e, em seguida, diga: “Ouçam estas palavras sobre nosso grande e imutável Deus...”.
Justo é o Senhor em todos os seus caminhos, e santo em todas as suas obras. Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade. Ele cumprirá o desejo dos que o temem; ouvirá o seu clamor, e os salvará. O Senhor guarda a todos os que o amam; mas todos os ímpios serão destruídos. A minha boca falará o louvor do Senhor, e toda a carne louvará o seu santo nome pelos séculos dos séculos e para sempre (Salmos 145:17-21).
As palavras de Deus serão sempre mais poderosas, profundas e penetrantes do que as nossas. Comece por permitir que Deus acabe com as dúvidas, por falar primeiro. Depois de ter preparado uma recepção para aqueles que tem um interesse especial na reunião, prepare os outros aspectos da liturgia do culto fúnebre em torno de cinco áreas, perguntando como o evangelho pode ser retratado com precisão em cada uma delas: oração, louvor, leituras bíblicas, eulogia e sermão.



Tradução: William Teixeira
Revisão: Camila Rebeca Almeida

terça-feira, 27 de setembro de 2016

10 Coisas que os Jovens em um Relacionamento Sério Devem Saber

10 Coisas que os Jovens em um Relacionamento Sério Devem Saber

Jared C. Wilson27 de Setembro de 2016 - Vida Cristã
1. O seu desejo de fazer sexo com a pessoa amada não é ruim. Seria um problema diferente para nos preocuparmos caso você não desejasse. A chave é que o desejo de glorificar a Cristo deve ser maior do que o desejo de fazer sexo com quem você ama.
2. A chave para que o desejo de glorificar a Cristo seja maior do que o desejo de fazer sexo é que essa decisão deve ser tomada repetidamente.
3. As pessoas que estão em um relacionamento sério demonstram seu melhor comportamento. Portanto, seja qual for esse comportamento agora, pode-se esperar que, com o tempo, vai "piorar". Conforme a intimidade aumenta, as pessoas tendem a baixar a guarda. O casamento não resolve um mau comportamento, mas sim, dá a ele mais liberdade para aparecer. Garotas, se o seu namorado é controlador, desconfiado, manipulador ou te menospreza, ele ficará pior e não melhor, à medida que durar o seu relacionamento. Quaisquer que sejam as desculpas que você inventar ou as coisas que você relevar agora, ficará cada vez mais evidente e difícil de ignorar à medida que durar o seu relacionamento. Você não conseguirá consertá-lo, e o casamento não vai endireitá-lo.
4. Quase todos os cristãos que conheço os quais se casaram com um não cristão declaram seu amor pelo seu cônjuge e não se arrependem de terem se casado; no entanto, eles têm vivenciado uma dor profunda e um descontentamento com seu casamento por causa desse jugo desigual e, hoje, não aconselhariam um cristão a se casar com alguém que não seja cristão.
5. Considerar que você é especial e diferente, e que as experiências dos outros não refletem a sua, é uma visão pequena, insensata e arrogante. As pessoas que te amam e te avisam/aconselham sobre seu relacionamentotalvez sejam ignorantes. De fato, existem pessoas assim. Mas há uma probabilidade bem maior de que seus pais, seus pastores, seus amigos casados há mais tempo sejam mais sábios do que você pensa.
6. Morar juntos antes do casamento é um fator que pode matar seu casamento.
7. O sexo antes do casamento não incentiva o rapaz a crescer, ter responsabilidade e a liderar sua casa e família.
8. O sexo antes do casamento fere o coração de uma garota, talvez imperceptivelmente no início, mas sem dúvidas com o passar do tempo, conforme ela troca os benefícios de uma aliança, mas sem a segurança da mesma. Não foi assim que Deus planejou que o sexo nos trouxesse satisfação. Nunca entregue o seu corpo para um homem que não tenha prometido a Deus total fidelidade a você dentro da aliança de casamento, isso implica em prestar contas a uma igreja local. Resumindo, não entregue seu coração a um homem que não presta contas a alguém que dê a ele uma disciplina piedosa.
9. Todos os seus relacionamentos, inclusive seu relacionamento de namoro, têm o propósito maior de trazer glória a Jesus do que proporcionar a você uma satisfação pessoal. Quando a prioridade máxima em nossos relacionamentos é a satisfação pessoal, ironicamente, acabamos nos sentindo totalmente insatisfeitos.
10. Você é amado por Deus com uma graça abundante através da obra redentora de Cristo. E esse amor que nos envolve pela fé em Jesus nos dá poder e satisfação do Espírito Santo para buscar relacionamentos que honrem a Deus e, através deles, aumentem a nossa alegria.
Tradução: Isabela Siqueira

sábado, 24 de setembro de 2016

A Bíblia e a Meia-Idade

A Bíblia e a Meia-Idade

Paul Tripp25 de Setembro de 2016 - Vida Cristã
Vou apresentar-lhe duas afirmações aparentemente contraditórias e depois conectá-las para você:

?   A Bíblia não fala absolutamente nada a respeito da crise da meia-idade.
?   A Bíblia lhe diz tudo o que você precisa saber sobre a crise da meia-idade.

Vamos considerar a primeira afirmação. Se for à Escritura procurando pela crise da meia-idade como um tópico, você não encontrará nada. É evidente que isso é verdadeiro a respeito de muitos tópicos. Como resultado, muitos cristãos adotam uma postura do tipo “Bíblia-para-a-parte-religiosa-da-minha-vida” a respeito das Escrituras. Eles tendem a procurar ajuda na Bíblia somente quando ela fala claramente a respeito de certos tópicos. Assim, normalmente procuram em outros lugares a sabedoria que necessitam para as diversas áreas da vida que não são diretamente tratadas nas páginas da Escritura.
Ou eles podem cair em outro erro sutil. Se são cristãos, sabem que a Bíblia é um livro repleto de sabedoria impressionante, revelada por Deus, aquele que é a fonte de toda a sabedoria. Eles estarão famintos por conhecer a mente divina em cada área da vida. Dirigidos por esse zelo, podem torcer, revirar e esticar as Escrituras para prover a informação que estão procurando.
Assim, ambos grupos de pessoas cometeram o mesmo engano. Ambos veem a Bíblia como a grande enciclopédia de Deus, um índice tópico de problemas humanos e soluções divinas. Um grupo fica um pouco triste por considerar que a Bíblia não fala mais a respeito da vida. O outro está crescentemente convencido de que a Bíblia fala a respeito de mais tópicos do que parece a princípio. Ambos perderam a razão de ser da Bíblia, o cerne daquilo que a Bíblia realmente diz respeito.
Visto que a Bíblia não é uma enciclopédia, é correto dizer que ela não tem realmente nada a dizer a respeito da crise da meia-idade. Neste livro nós não vamos escavar através da história, poesia, profecia e ensino das Escrituras, caçando material que diga respeito à meia-idade. Nós não indagaremos se o pecado de Davi com Bateseba foi uma crise da meia-idade, ou se Moisés estava tendo uma crise de meia-idade quando erradamente feriu a rocha para conseguir água. Não vamos olhar os evangelhos em busca de qualquer evidência de como Jesus lidou com as tentações da meia-idade. Não é assim que a Bíblia funciona nem a forma como foi organizada. Por outro lado, também não vamos procurar em outro lugar pela verdade e sabedoria que precisamos.
A Bíblia é uma narrativa e, porque é uma narrativa, nos conta tudo o que precisamos saber sobre as preocupações da meia-idade. A Bíblia é a grande história da redenção, que abrange a história de cada vida humana. Ela é a história abrangente de “tudo”. Ela é compreensiva em escopo sem ser exaustiva em conteúdo. Ela nos dá sabedoria para tudo, sem diretamente discutir cada coisa em particular.
A grande narrativa da Palavra de Deus me dá tudo o que eu preciso saber sobre Deus, sobre mim mesmo, sobre o propósito e o significado da vida e sobre aquilo que é verdadeiro, bom e belo. A Bíblia é a lente por meio da qual eu olho o todo da vida. Nela eu encontro as verdades, valores, objetivos e esperanças que visam dar forma e direção à minha vida. Todas essas coisas são fios tecidos na trama de uma história grandiosa e maravilhosa. Sem sua história, as doutrinas, princípios, mandamentos e promessas não fazem nenhum sentido.
À luz dessa história, cada passagem da Escritura revela coisas sobre Deus, sobre as pessoas, sobre a vida nesse mundo caído, sobre a redenção e a eternidade que me ajudam a entender qualquer coisa que eu esteja considerando naquele momento. Por exemplo, a maioria do que a Bíblia fala sobre casamento não é encontrado em passagens que discutem o casamento. O Salmo 73 é uma passagem sobre casamento porque apresenta um tipo de luta que cada pessoa nesse mundo experimenta. 1Pedro 1 é uma passagem sobre casamento porque esquematiza o que Deus está fazendo no período de tempo entre a nossa salvação e a sua vinda – o período de tempo no qual todos os casamentos acontecem. Apocalipse 5 é uma passagem sobre casamento porque nos permite espiar a eternidade e, assim, clarear os valores que devem estruturar cada casamento cristão.
Assim, mesmo que a Bíblia nunca fale nada sobre a experiência da crise da meia-idade, ela é um recurso rico para compreendê-la e aprender como responder a ela. Mas antes de examinarmos experiências particulares da meia-idade, é importante examinar como quatro perspectivas explicam ou interpretam as questões mais profundas de cada experiência humana.

A Bíblia Nos Apresenta o Mundo Real
Você não precisa ler por muito tempo para encontrar honestidade chocante na Bíblia. Viver em um mundo caído não é minimizado ou coberto por uma cobertura de açúcar. Tão cedo quanto no quarto capítulo de Gênesis, você encontra um fratricídio – o tipo de relato que te daria arrepios ao ler o jornal pela manhã. De violência doméstica a guerras, pragas e doenças; de animais ferozes a perversidade sexual e corrupção no governo. A Escritura descreve firmemente o drama diário da vida real. É um mundo de promessas quebradas, expectativas frustradas e sonhos riscados. É um mundo onde pessoas más parecem prosperar e pessoas boas estão sofrendo. É um mundo onde coisas boas se transformam em más, coisas novas se deterioram, coisas jovens envelhecem e coisas fortes se tornam fracas. É um mundo familiar porque é o mesmo mundo em que vivemos.
            A Bíblia também é honesta sobre o porquê o mundo é desse jeito. Por que Caim matou Abel? Por que o dilúvio global foi necessário? Por que cônjuges por vezes são infiéis? Por que Davi precisou fugir de seu filho Absalão? Por que pessoas mentem? Por que Judas traiu o Messias? Por que os filhos se rebelam contra os seus pais? Por que a devassidão é atrativa? Por que existem filosofias que competem com a verdade? A Bíblia apresenta uma resposta firme a todas essas questões que capturam a experiência de todas as pessoas.
            A explicação da Escritura a essas questões parece simples, ainda assim é a única perspectiva ampla o suficiente para cobrir a gama ampla daquilo que está errado, desde motivações pessoais internas sombrias até os males culturais, históricos e ambientais. Vivemos em um mundo que tem sido envergado e torcido por uma força tão fundamental, tão poderosa que literalmente impacta cada pensamento humano, cada intenção humana, cada situação, cada experiência da sociedade e cada momento da história, essa força é uma patologia inescapável do universo criado. É o pecado. Apenas uma palavra e ainda assim um conceito sem o qual é impossível entender a sua vida ou a minha.
            Essa questão fundamental é poderosamente apresentada em Romanos 8.20-22:

Pois ela foi submetida à inutilidade, não pela sua própria escolha, mas por causa da vontade daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria natureza criada será libertada da escravidão da decadência em que se encontra, recebendo a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto. (NVI)

Que descrição poderosa! Três expressões nessa curta passagem capturam a vida real nesse mundo caído. Primeiro, a criação foisubmetida à inutilidade. As coisas simplesmente não funcionam da maneira que foram ordenadas para funcionar. Depois, Paulo afirma que o mundo está em uma escravidão da decadência. O fato lamentável é que tudo está em processo de morte. Finalmente, ele diz que a criação geme até agora, como em dores de parto. O mundo em que vivemos se contorce com dores tão agudas que não podem ser ignoradas.
            Todas essas realidades encontram expressão concreta nas páginas das Escrituras. Do drama da guerra entre as nações (Josué) ao túnel escuro do desespero pessoal (Salmo 88), das alegrias do nascimento de um bebê há muito esperado (Lucas 1), ao lamento diante do túmulo de um homem morto (João 11), a Bíblia captura a verdade a respeito da vida real com uma familiaridade e clareza profundas.
            Então como é que a Bíblia nos ajuda com um tópico como a meia-idade? Provendo-nos de um contexto – um retrato honesto e expansivo do mundo real. Muitas pessoas estão perdidas simplesmente porque não entendem o contexto em que vivem, trabalham, se divertem e adoram. Eles ficam constantemente surpresas e estão despreparadas porque não têm se beneficiado da sabedoria funcional que a Bíblia concede.

A Bíblia Nos Apresenta a Pessoas Reais
As personagens da Bíblia não são figuras de cera em um museu de mobilidade humana. Nem são personagens de desenho animado com sorrisos de sacarina e vozes melódicas. Reconhecemos as pessoas da Bíblia porque elas são exatamente como nós. Adão e Eva são transferidores de culpa competentes. O rei Saul é paranoico e instável. Quando olhamos as páginas da Escritura, encontramos pessoas em relacionamentos familiares: eles são filhos e filhas, maridos e esposas, pregadores e poetas. Vemos multidões de espectadores, mendigos carentes na rua, líderes políticos de diversas etnias e classes sociais, professores e alunos, escultores e artesãos, advogados e juízes, os mais velhos e os jovens. Uma demonstração rica e de cores variadas da humanidade pinta quase cada página da Escritura.
            A palavra de Deus, de forma cuidadosa, também demonstra a gama completa de paixões humanas. Vemos alegria e regozijo, luto e lamento, temor e timidez, contentamento e deleite, ciúmes e inveja, fé e dúvida, paciência e perseverança. Vemos ira, desencorajamento, ódio, amor auto sacrificial, luxúria, obsessão e egoísmo. Podemos testemunhar como os seres humanos respondem às situações e pessoas em volta deles. E somos introduzidos nos corredores dos corações humanos para examinar pensamentos, inspecionar desejos e conhecer escolhas. No processo, nós mesmos somos expostos e confrontados.
            Até mesmo os mandamentos e princípios da Bíblia descrevem a nossa real humanidade de carne e sangue, tratando das mesmas questões que cada ser humano experimenta. Esses mandamentos falam dos olhos, língua, mãos e da mente. Eles dizem como responder quando for maltratado, como planejar para o futuro, como ver o governo, como reconciliar um relacionamento, como educar e corrigir uma criança, como dirigir uma igreja, como amar a seu marido ou a sua esposa, como tratar os idosos e como viver com o seu próximo.
            Não há forma melhor de autoconhecimento e autoexposição do que o espelho da Escritura. À medida que eu me examino à luz disso, aprendo coisas fundamentais a respeito de mim mesmo, as quais tem implicações práticas para tudo o que eu encontro neste mundo caído. A Bíblia nos expõe como realmente somos.
            A Escritura nunca nos permite crer em uma humanidade neutra, não direcionada ou desmotivada. Ela requer que admitamos que, por trás de tudo o que fazemos ou dizemos, estamos perseguindo alguma coisa – alguma esperança ou sonho ou coisa sem a qual nos recusamos a viver. Há coisas que valorizamos tanto, que estamos dispostos a sacrificar outras coisas boas para consegui-las. Diminuímos a nossa humanidade a fim de deificar a criação. As coisas que procuramos possuir passam a nos possuir. Vivemos pelas sombras da glória e esquecemos a única glória pela a qual vale a pena de viver.
            Em seu retrato magistral da humanidade, a Bíblia exige que admitamos algo doloroso e humilhante – aquela confissão que tentamos evitar a todo custo: que nosso problema mais profundo, mais penetrante e mais enraizado somos nós mesmos! Se você puder fazer essa admissão humildemente, sua vida nunca mais será a mesma.
            Novamente, veja como isso tem conexão com a meia-idade. Porque tantas pessoas na cultura ocidental tendem a se perder durante essa época da vida? Porque todas as trilhas do labirinto da existência humana pelos quais a Escritura nos conduz levam ao mesmo lugar. Eles nos levam a nós mesmos. Somente aqui conseguiremos entender a verdadeira natureza de nossa necessidade e a verdadeira magnitude da provisão de Deus.

A Bíblia Nos Convoca a Adorar o Deus Real 
O Deus da Escritura não é o herói de um mito. Ele não é a projeção de mentes fracas, que simplesmente precisam de algo maior do que elas mesmas para que possam depender. Ele, o criador, sustentador e governante de todas as coisas é o único ser do universo digno de adoração. A luz de sua glória brilha em cada página das Escrituras. Sua voz é ouvida primeiro, ele escreve o final do drama e cada cena é dominada pela sua presença.
Ele existe eternamente e não tem necessidade de sustento. Ele é tem a sabedoria definitiva e ainda assim nunca teve um único professor. Ele fez tudo o que existe, mas não tinha matéria-prima para trabalhar. Ele nunca falhou e não tem nenhuma falha pessoal. Todas as palavras que ele já falou são verdadeiras, e cada promessa que ele fez se tornará realidade. Ele nunca fica confuso, desencorajado ou sobrecarregado. Ele nunca sente ciúmes de forma errada, exigente demais ou de forma enraivecida. Ele está presente em todos os lugares ao mesmo tempo. Não há circunstância que não esteja sob o seu controle. Todas as coisas continuam funcionando porque ele mantém tudo junto pelo poder de sua vontade.
Ele tem poder para punir de forma destrutiva, mas se deleita em perdoar. Ele pode mover montanhas, mas é carinhoso, gentil e amável. Sua sabedoria e conhecimento ultrapassam a nossa imaginação, ainda assim ele fala palavras que qualquer um pode compreender. Ele é a fonte de toda justiça verdadeira, e, ainda assim é abundante em misericórdia. Ele está distante em sua glória e ainda assim sempre presente e sempre perto. Ele exige a nossa fidelidade, mas nos dá o poder para obedecer. Ele nos chama a segui-lo, mas pacientemente dá espaço para que aprendamos e cresçamos. A cada dia ele nos dá aquilo que não conquistamos e não poderíamos obter.
Ainda assim, esse Deus grande e glorioso, por causa da redenção, se tornou um homem. A linha intransponível entre o Criador e a criatura foi transposta. O Verbo se tornou carne. O pé de Deus tocou a terra! A voz de Deus se fez ouvir na terra! O Senhor veio como o segundo Adão, a Palavra da vida, o sacerdote final e o Cordeiro sacrificial. Ele satisfez as exigências de Deus, fez expiação pela ira de Deus e derrotou a morte.
Essa reunião de glória e humanidade revela que todos os outros deuses são falsificações, ficções da imaginação humana e imagens feitas pela mão dos homens. Somente o Deus de glória última e graça que se encarna oferece aquilo que necessitamos frente à terrível devastação pessoal e ambiental do pecado. Aquele que criou todas as coisas passou por aquilo que passamos. Ele, que é puro e santo, pagou o preço definitivo pelo pecado. Ele, que é o criador da vida, saiu andando da morte. Ele pode ajudar!
Como tudo isso pode nos ajudar à medida que nos aproximamos de experimentar a meia-idade? A revelação de Deus na Escritura é o único lugar onde podemos encontrar esperança verdadeira. Ele é o único que, de uma vez por todas, está completamente acima de todas as coisas que enfrentamos e ainda assim tem uma intimidade familiar com todas elas por experiência própria. Nós corremos a ele porque ele é Senhor sobre todas as coisas e ele tem poder para ajudar.

A Bíblia Dá Boas-Vindas À Redenção Verdadeira
            O mundo está cheio de sistemas falsos de redenção. Governo, educação, filosofia, sociologia e psicologia, todos esses prometem redenção, mas nenhum deles pode cumprir a promessa, porque sistemas humanos nunca conseguem redimir. Se eles pudessem ter lidado com os resultados amplos e devastadores do pecado, Jesus nunca teria vindo. Ele veio à terra para sofrer e morrer, porque era exatamente isso o necessário. A Bíblia me convida à esperança que somente pode ser encontrada em um Redentor. Eu preciso de mais do que ajuda, eu preciso de resgate. Eu preciso que alguém faça por mim aquilo que eu não consegui fazer por mim mesmo. A minha luta maior não é com o mal que está fora de mim, mas com o mal que está aqui dentro. Se não há esperança para aquilo que está dentro de mim, de forma alguma há chance de que eu consiga lidar com o que está forade mim.
            Duas passagens bíblicas ilustram a necessidade de redenção real. A primeira, Gênesis 6.5, é devastadora em seu retrato da natureza compreensiva e interna de nossa luta contra o pecado. “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração.” Uau! Permita que essas palavras sejam absorvidas. O pecado diz respeito a uma coisa mais fundamental do que fazer o que é errado ou falhar em fazer o que é certo. O pecado mata cada célula do coração e converte tudo o que fazemos para o mal. Nós gostamos de acreditar que somos melhores do que isso. Queremos nos agarrar à fantasia da intenção pura e sem mácula. Queremos pensar que a nossa fofoca era, na verdade, um pedido de oração. Queremos pensar que não foi a autoabsorção feia, mas o cansaço físico que nos fez irritadiços. Queremos acreditar que foi zelo pela verdade e não impaciência que nos fez falar alto e forte. Provérbios 16.2 diz: “Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o Senhor pesa o espírito”.
Gênesis 6 abre o nosso coração e revela o pecado e a profundidade de cada pensamento e intenção. Se isso é verdade, então você não pode me educar para fora dele. Você não pode exercer poder suficiente sobre mim a fim de esmagar os seus efeitos. Você não pode prover técnicas práticas para me elevar acima do meu pecado. Sem a ajuda divina, eu estou tomado do câncer do pecado e meu prognóstico é a morte. Qualquer coisa incapaz de erradicar esse câncer de dentro de mim é inútil para me ajudar.
Mas há uma segunda passagem que deve ser colocada junto a Gênesis 6.

Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas. (Hebreus 1.3)

            Com uma palavra, “assentou-se”, o escritor de Hebreus captura a completitude da obra de Cristo. Jesus fez tudo o que era necessário para lidar com cada um dos efeitos do pecado. Ele conseguiu fazer o que os sacerdotes do Antigo Testamento nunca conseguiram fazer: parar.
            Os sacerdotes do Antigo Testamento foram chamados para sacrificar pelos pecados do povo de Deus. Exaustos e cheios de sangue até os joelhos, eles ofereciam sacrifício após sacrifício, dia após dia. Se víssemos a cena, ficaríamos com náuseas. Não eram apenas as ofertas diárias, mas dúzias de sacrifícios diários, semanais e sazonais oferecidos de acordo com o calendário religioso. Milhares de animais eram sacrificados a cada ano. Ainda assim, nunca era o suficiente. Antes que uma camada de sangue secasse, outra era derramada. O odor de carne queimando nunca parava. Esse trabalho sacrificial não podia parar, porque o poder do pecado nunca era quebrado e a penalidade pelo pecado nunca era totalmente paga. Assim, é maravilhoso ler que depois que Jesus realizou seu trabalhoele se assentou! A única razão pela qual ele poderia se assentar é que ele fez tudo o que era necessário para completar a redenção que tinha sido provida.
            Coloque essas duas expressões bíblicas juntas e você começará a entender a magnitude e praticidade da redenção que somente poderia ser suprida por Cristo Jesus: “era continuamente mau todo desígnio do seu coração” e “depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se”. Na história da redenção da Escritura, a tristeza da totalidade de nossa depravação beija a celebração da totalidade da provisão de Cristo. Deus é satisfeito, Cristo se assentou e, então, há esperança para nós – uma esperança prática que se estica de agora até o final, na eternidade. Como resultado, abordamos cada tópico da nossa vida como as pessoas mais tristes e mais celebrantes da terra. Essa tensão funcional entre tristeza e celebração resulta no tipo de sabedoria prática que a somente a Bíblia concede. A meia-idade deve ser vista a partir dessas duas perspectivas da redenção.

Resumindo
             Essas quatro perspectivas bíblicas (mundo real, pessoas reais, Deus real e redenção real) nos dão a sabedoria essencial para qualquer coisa que encaremos em nossa vida humana. Somente quando virmos o mundo explicado como verdadeiramente é, nós mesmos como realmente somos, Deus em toda a sua glória e a completude da obra redentora de Cristo, poderemos ter uma perspectiva equilibrada, funcional e digna sobre qualquer coisa.
            Deixe-me detalhar o que essas quatro perspectivas nos proveem ao abordarmos o tópico da meia-idade.

1. Uma cosmovisão abrangente que diz respeito a tudo o que existe. A Escritura não é exaustiva no sentido de abordar diretamente cada assunto, mas é abrangente no sentido de prover informação para compreender todos os aspectos da realidade.
2. Perspectivas práticas sobre cada problema humano. A Bíblia tem algo a dizer sobre tudo o que é mais importante para a vida humana. Ela nos dá uma compreensão essencial dessas coisas e de como devemos responder a elas.
3. Vida antes da morte. A Bíblia não simplesmente promete que algum dia, em uma eternidade distante, conheceremos a vida. A Bíblia nos chama a abraçar uma qualidade de vida agora, qualidade essa que, de outra forma, seria impossível sem a pessoa e obra do Senhor Jesus.
4. Esperança real e autoconhecimento. Você não precisa ficar preso na prisão da cegueira pessoal. Você pode ver, conhecer e compreender a si mesmo, até mesmo os pensamentos e motivos do seu próprio coração. Isso é possível porque a Bíblia funciona como o espelho perfeito. Quando olha para ele, você se vê como realmente é.
5. Ajuda prática para as questões mais profundas da experiência humana. Na Bíblia eu encontro o Criador que me fez e que, portanto, conhece tudo a meu respeito. Eu encontro o Salvador que viveu na terra como eu e compreende tudo a respeito da minha experiência. A Bíblia encara de frente as questões mais profundas da experiência humana, com uma esperança brilhante e uma sabedoria funcional.
6. Esperança real para mudança pessoal duradoura. Visto que Cristo veio, a mudança realmente é possível. A Bíblia, com toda a sua honestidade chocante, também é impressionantemente positiva e esperançosa. Não há nenhuma página cínica nas Escrituras. Não há traços de desistência. A promessa de mudança pessoal radical e duradoura ilumina cada canto de pecado que é encontrado nas Escrituras.
7. Conforto real. Quanto mais você lê a Bíblia, mais compreende que nenhuma experiência humana está fora do escopo do evangelho. Deus entende tudo e seu Filho providenciou tudo. A cada dia podemos ser confortados pela realidade bíblica maravilhosa de que existe provisão para qualquer coisa que enfrentarmos.
            Ao começarmos uma jornada de descoberta bíblica e pessoal, devemos reconhecer o desafio pessoal que esses sete benefícios de uma perspectiva bíblica colocam diante de nós. Frequentemente, mesmo em nossa celebração das Escrituras, a deixamos separada das situações e relacionamentos de nosso dia a dia. Pergunte a si mesmo agora: Onde você permitiu a si mesmo responder aos puxões e empurrões da vida nesse mundo caído de forma não-bíblica? Onde falhou em observar a descrição honesta que a Escritura faz da humanidade e reservou a sua sabedoria para as áreas “religiosas” de sua vida? Onde você procurou ideias para os desafios particulares da vida em qualquer fonte, exceto na Bíblia? Onde você ignorou a fonte interna de seus problemas e implacavelmente procurou colocar a culpa fora de si mesmo? Onde você reduziu a obra de Cristo de perdão de pecados e perdeu a esperança na total renovação do seu coração, dos seus relacionamentos e do seu mundo?
            É fácil seguir uma religião da mente; outra coisa é render o seu coração e, portanto, cada aspecto da sua vida a Deus. A esperança desse livro é nada menos do que corações transformados, que radicalmente levem a vidas transformadas. Nós não podemos descansar de expandir conhecimento e fomentar entendimento. Não podemos porque Deus não faz isso. Deus demanda isso de todos nós. Ele não vai sossegar, porque já conquistou uma parte de nós. Da mesma forma, à medida que começamos o nosso exame da crise que frequentemente aparece na meia-idade, urjo a você que faça os seguintes compromissos:

1. Eu vou examinar cuidadosamente e entender esse período importante da minha vida.
2. Vou procurar entender tudo o que eu encontrar a partir do ponto de vista das Escrituras.
3. Vou olhar para mim mesmo por meio dos sempre preciso espelho da Palavra de Deus.
4. Eu vou pessoalmente identificar e confessar as áreas em que a mudança se faz necessária.
5. Eu resolverei agir com base na esperança e ajuda que são encontradas no Senhor Jesus Cristo.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O amor cristão é humilde

O amor cristão é humilde

Jonathan Edwards23 de Setembro de 2016 - Vida Cristã
Eu gostaria de mostrar o que é humildade. A humildade pode ser definida como sendo o hábito da mente e do coração que corresponde à nossa indignidade e vileza em comparação com Deus, ou o senso de nossa própria insignificância aos olhos de Deus, com a disposição para um comportamento correspondente à humildade. Ela consiste em parte no senso ou estima que temos de nós mesmos; e, em parte, na disposição que temos para um comportamento correspondente a este senso ou estima. E o primeiro elemento na humildade é

1.1. O senso de nossa própria insignificância comparativa. Digo insignificância comparativa porque a humildade é uma graça peculiar aos seres que são gloriosos e excelentes em todos os seus muitos aspectos. Assim os santos e anjos, no céu, suplantam em humildade; e esta é peculiar a eles e adequada neles, ainda que sejam seres puros, impolutos e gloriosos, perfeitos em santidade e excelentes na mente e força. Mas, ainda que sejam assim gloriosos, contudo possuem uma insignificância comparativa diante de Deus, e disto são sensíveis; pois lemos que, aquele diante de quem devemos nos humilhar, contempla as coisas que estão no céu (Sl 113.6). Assim o homem Jesus Cristo, que é o mais excelente e glorioso de todas as criaturas, no entanto é manso e humilde de coração, e em humildade suplanta a todos os demais seres. A humildade é uma das excelências de Cristo, porque ele é não somente Deus, mas também homem, e, como homem, ele era humilde; pois humildade não é, e não pode ser, um atributo da natureza divina. A natureza de Deus é de fato infinitamente oposta ao orgulho, e contudo a humildade não pode ser, propriamente, um predicado dele; pois, se o fosse, isto implicaria imperfeição, o que é impossível em Deus. Deus, que é infinito em excelência e glória, e infinitamente acima de todas as coisas, não pode ter em si qualquer consciência de insignificância, e portanto não pode ser humilde. Humildade, porém, é uma excelência peculiar a todos os seres inteligentes criados, pois todos eles são infinitamente pequenos e insignificantes diante de Deus, e a maioria deles é de alguma maneira insignificante e inferior em comparação com alguns de seus semelhantes. Humildade implica compromisso com aquela norma do apóstolo (Rm 12.3), a saber, que não devemos pensar de nós mesmos mais do que convém pensarmos, mas que pensemos de nós mesmos sobriamente, segundo Deus trata a cada um, na medida não só da fé, mas também das demais coisas. E esta humildade, como uma virtude nos homens, implica o senso de sua própria insignificância comparativa, tanto quando compara com Deus, como quando comparada com seus semelhantes.

Primeiro, a humildade, primária e principalmente, consiste no senso de nossa insignificância quando comparados com Deus, ou o senso da infinita distância que há entre Deus e nós. Somos criaturas pequenas, desprezíveis, sim, vermes no pó, e devemos sentir que não passamos de nulidade, menos que nada, em comparação com a Majestade do céu e da terra. Abraão expressa tal senso de sua nulidade quando disse: “Eis que me atrevo a falar ao Senhor, eu que sou pó e cinza” (Gn 18.27). Não existe humildade sem alguma medida deste espírito; porque, seja qual for a medida do senso que tivermos de nossa insignificância, quando comparados com alguns de nossos semelhantes, não somos realmente humildes, a menos que tenhamos o senso de nossa nulidade quando comparados com Deus. Há pessoas que cultivam o pensamento de inferioridade, acerca de si mesmas, quando se comparam com outras pessoas, à vista da insignificância de suas circunstâncias, ou de um temperamento melancólico e de desalento que lhes é natural, ou de alguma outra causa, enquanto nada sabem da infinita distância que existe entre elas e Deus; e, muito embora estejam prontas a olhar para si como sendo humildes, contudo não possuem a verdadeira humildade. Aquilo que acima de todas as demais coisas nos convém saber de nós mesmos é o que somos em comparação com Deus, que é nosso Criador e aquele em quem vivemos, nos movemos e temos nosso ser, e que é infinitamente perfeito em todas as coisas. E caso ignoremos nossa insignificância quando comparados com ele, então o que é mais essencial para nós, o que é indispensável à genuína humildade, está ausente. Mas, onde este fato é realmente sentido, aí a humildade se sobressai.

Segundoo senso de nossa insignificância quando comparados com muitos de nossos semelhantes. Pois o homem é não só uma criatura insignificante em comparação a Deus, mas ele é mui insignificante quando comparado com as multidões de criaturas de uma posição superior no universo; e a maioria dos homens é insignificante em comparação a muitos de seus semelhantes. E quando o senso desta insignificância comparativa se origina de um justo senso de nossa insignificância como Deus a vê, então ela é da natureza da genuína humildade. Aquele que tem um correto senso e estima de si mesmo, em comparação a Deus, provavelmente terá seus olhos abertos para contemplar-se corretamente em todos os aspectos. Vendo realmente como ele é com respeito ao primeiro e mais elevado de todos os seres, isso tenderá grandemente a ajudá-lo a ter uma justa apreensão do lugar que ele ocupa entre as criaturas. E aquele que não conhece corretamente o primeiro e mais elevado dos seres, que é a fonte e manancial de todos os demais seres, realmente não pode conhecer tudo corretamente; mas, na medida em que vem ao conhecimento de Deus, então está preparado para e é guiado ao conhecimento das demais coisas, e, então, de si mesmo, quando relacionado com os demais, e quando situado entre eles.

Este conceito de humildade deve aplicar-se aos homens considerados como seres perfeitos, e teria sido verdadeiro de nossa raça, se nossos primeiros pais não houvessem caído e assim envolvido sua posteridade em pecado. Mas a humildade nos homens caídos implica o senso dez vezes maior de insignificância, quer diante de Deus, quer diante dos homens. A insignificância natural do homem consiste em estar ele infinitamente abaixo de Deus em perfeição natural, e em estar Deus infinitamente acima dele em grandeza, poder, sabedoria, majestade etc. Uma pessoa realmente humilde é sensível da pequena extensão de seu próprio conhecimento e da grande extensão de sua ignorância, e da pequena extensão de seu entendimento, quando comparado com o entendimento de Deus. Tal pessoa é sensível de sua debilidade, de quão pequena é sua força e de quão pequena é ela em sua capacidade de agir. Ela é sensível de sua natural distância de Deus; de sua dependência dele; e de que é pelo poder de Deus que ela é sustentada e provida, e que necessita da sabedoria de Deus para ser conduzida e guiada, e de seu poder para capacitá-la a fazer o que deve por e para ele. Ela é sensível de sua sujeição a Deus, e que a grandeza dele consiste propriamente em sua autoridade, de que ele é o soberano Senhor e Rei sobre todos; e que ela se dispõe a sujeitar-se a essa autoridade, quando sente que lhe convém submeter-se à vontade divina e em tudo sujeitar-se à autoridade de Deus. O homem teve esta sorte de pequenez comparativa antes da queda. Então, ele era infinitamente pequeno e insignificante em comparação a Deus; mas sua insignificância natural se tornou muito maior a partir da queda, pois a ruína moral de sua natureza reduziu grandemente suas faculdades naturais, ainda que não as extinguisse.

A pessoa realmente humilde, desde a queda, é também sensível de sua insignificância e vileza morais. Isto consiste em sua pecaminosidade. Sua insignificância natural é sua pequenez como criatura; sua pequenez moral é sua vileza e imundície, como pecador. O homem antes da queda era infinitamente distante de Deus em suas qualidades ou atributos naturais; o homem caído está infinitamente distante dele também como pecador, e, por isso, imundo. E uma pessoa realmente humilde em alguma medida é sensível de sua insignificância comparativa neste aspecto: ela percebe quão excessivamente imunda é diante de um Deus infinitamente santo, a cujos olhos os céus não são limpos. Ela percebe o quanto Deus é puro e quão imunda e abominável é ela diante dele. Isaías teve esse senso de sua insignificância quando contemplou a glória de Deus e clamou: “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos” (Is 6.5). O humilde senso de nossa insignificância, neste aspecto, implica aversão de nossa própria miséria, tal como a que levou Jó a exclamar: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora meus olhos te veem. Por isso, me abomino e me arrependo no pé e na cinza” (Jó 42.5, 6). Implica ainda aquela contrição e quebrantamento de coração de que fala Davi, quando diz: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17). E também o que Isaías contemplou quando declarou: “Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos” (Is 57.15). E tanto o senso de nossa pequenez pessoal quanto o senso de nossa vileza moral diante de Deus, estão implícitos naquela pobreza de espírito de que fala o Salvador, quando afirma: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino do céu” (Mt 5.3).

Além deste senso de nossa própria insignificância e indignidade, que está implícito na humildade, ser muito necessário para conhecermos a Deus, e termos o senso de sua grandeza, sem o qual não podemos conhecer a nós mesmos, precisamos também ter o senso correto de sua excelência e amabilidade. Os demônios e espíritos condenados veem uma grande porção da grandeza de Deus, de sua sabedoria, onipotência etc. Deus os torna sensíveis dessa grandeza, pela qual veem em seus modos de tratá-los e sentem em seus próprios sofrimentos. Por mais indispostos sejam eles em reconhecê-lo, Deus os faz saber o quanto ele está acima deles hoje, e saberão e o sentirão ainda mais, durante e após o julgamento. Eles, porém, não possuem humildade, nem jamais a possuirão, porque, ainda que vendo e sentindo a grandeza de Deus, contudo nada veem e nada sentem de sua amabilidade. E sem isto não pode haver real humildade, pois ela não pode existir a menos que a criatura sinta sua distância de Deus, não só com respeito à sua grandeza, mas também quanto à sua amabilidade. Os anjos e os espíritos redimidos, no céu, veem ambas estas coisas; não só quão maior é Deus do que eles, mas também quão mais amável é ele; de modo que, ainda quando não tenham contaminação e mácula absolutas, como possuem os homens caídos, contudo, em comparação a Deus, lemos que “nem os céus são puros a seus olhos” (Jó 15.15), e “aos seus anjos atribui imperfeições” (Jó 4.18). A partir desse senso de sua insignificância comparativa, as pessoas se tornam sensíveis de quão indignas são da misericórdia ou da observação graciosa de Deus. Jacó expressou esse senso quando disse: “Sou indigno de todas as misericórdias e de toda a fidelidade que tens usado para com teu servo” (Gn 32.10), e Davi, quando exclamou: “Quem sou eu, Senhor Deus, e qual é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui?” (2Sm 7.18). E aquele que realmente se humilha diante de Deus também possui esse senso.

Trecho do livro: "Caridade e seus frutos", por Jonathan Edwards

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